Na continuação do compromisso que assumimos em Setembro de 2013 aqui estamos a desenvolver o 7º dos 15 pontos identificados no tema “Porque Falham Muitos Sistemas de Gestão da Qualidade”.
Este já foi um dos mais comuns motivos de falhas dos sistemas de gestão da qualidade (SGQ) e resulta do facto de as gestões de topo verem apenas esses sistemas como uma obrigação, normalmente imposta por clientes, ou como uma bandeira de marketing, e não como um modelo de funcionamento que contribua de uma forma significativa para a empresa atingir bons resultados. Assim, sobretudo até ao aparecimento da ISO 9001:2000, era frequente encontrar organizações, por vezes até de média e grande dimensão, em que todo o funcionamento do SGQ estava centralizado numa pessoa insubstituível. Um colega meu fez nessa altura o interessante comentário: “uma organização desse tipo numa empresa é uma autêntica maldição”.
Note-se que a complexidade das organizações actuais e os difíceis desafios com que se defrontam exige um envolvimento e elevada motivação de todos/as os/as seus/uas colaboradores/as, o que só pode ser conseguido com uma grande descentralização e responsabilização impossíveis de atingir quando a qualidade é apenas de poucos/as. Mesmo quando essas responsabilidades são atribuídas a um departamento, tipicamente o Técnico ou o da Qualidade, o problema mantém-se, na medida em que as restantes áreas são como que marginalizadas. Não se pode dizer que por vezes não seja necessário ter pessoas e/ou departamentos mais focados em aspectos tradicionalmente identificados com a qualidade, como sejam as inspecções, os ensaios, o pós- venda, as auditorias e a própria coordenação de todo o SGQ, mas isso não dispensa qualquer outro/a colaborador/a de saber em que medida o seu papel também é relevante para a qualidade da organização a que pertence e de actuar em conformidade com esse papel.
O surgimento da ISO 9001:2000, que impôs uma gestão por processos que atravessa toda a organização e os conceitos de excelência organizacional, começou a haver uma mudança cultural na sociedade portuguesa. Essa mudança tem vindo a processar-se no sentido da interiorização do conceito de qualidade e do envolvimento de todos/as os/as colaboradores/as no que respeita à qualidade, mas ainda há numerosas entidades geridas à moda antiga, situação que importa corrigir.
Concluo reiterando a importância de a gestão de topo envolver todos/as os/as colaboradores/as, e em particular ela própria, na construção da qualidade nas suas organizações e aponto em seguida algumas dicas para os/as gestores/as de topo conseguirem o envolvimento desejado:
• Gerirem a qualidade com o mesmo grau de exigência com que gerem a parte financeira;
• Atribuírem um/a “dono/a” de processo a cada processo;
• Estabelecerem indicadores e metas para cada processo;
• Constituírem equipas departamentais e interdepartamentais para análise de problemas e melhoria contínua;
• Assegurarem formação em comunicação interpessoal e liderança, se possível utilizando actividades outdoors;
• Criarem um clima participativo;
• Nas médias e grandes empresas reduzirem o mais possível a carga do Representante da Gestão ou do Responsável da Qualidade, enquanto executantes, de modo a focar o seu esforço na coordenação de todo o SGQ.
Eng.º Moitinho de Almeida
Março de 2015
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