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A Terceira Orelha

Como todos sabemos, por ser um dado adquirido, visível e habitual, todos os seres humanos são possuidores de duas orelhas, as quais, não tendo a mesma importância fisiológica de outros apêndices cartilagíneos, servem para alguns propósitos naturais ou para outros criados pela clarividência do ser humano. É um exemplo desta situação o uso de óculos, brincos e outros que tais. Mas há mais, foram servindo (e ainda servem) para os educadores (em sentido lato) mostrarem o seu desagrado com os comportamentos e atitudes dos seus educandos, particularmente aqueles considerados inapropriados (sempre de acordo com os insuspeitos critérios de justiça que todos nós enquanto educadores somos portadores). Quem não se lembra dos célebres (e que dolorosos) puxões de orelhas??!!! Era nesta altura que começávamos a desejar, de forma veemente, ter a “terceira orelha”, e de preferência descartável.

Mas (felizmente, será?) crescemos (continuando a ter apenas duas orelhas), e alguns de nós assumimos por “vocação”, interesse ou circunstância que o projecto profissional (e pessoal) ao qual deveríamos aderir estava (e está) ligado ao que vulgarmente se convencionou chamar de Recursos Humanos. E os Recursos Humanos não são mais do que pessoas (nós e os outros). Desta forma, quem trabalha nesta área, independentemente das técnicas ou da panóplia de áreas que lhe estão associadas tem como a última e indivisível instância, as pessoas.

Falemos de uma área em “particular”: a avaliação de pessoas em contextos de recrutamento (diria mesmo que esta “avaliação “ poderá ser estendida a qualquer outra situação de “julgamento” humano”).

Todos os que são, por inerência das suas funções, responsáveis (parcial ou totalmente) pela “escolha de pessoas” (em alguns casos poderíamos dizer profissionais), sabem a importância que uma decisão “acertada” tem para a organização onde trabalham (ou para a qual trabalham). De facto, a organização estabelece criteriosamente quais as competências nucleares para o exercício de determinada função. Complementa estes requisitos com o conjunto de regalias que o “profissional” a admitir poderá (ou deverá) auferir. Cabe então aos responsáveis seleccionarem os candidatos que preencham estes requisitos.

Para tornarem mais objectiva essa selecção, procuram avaliar os candidatos, utilizando um conjunto de instrumentos ou técnicas de avaliação que permitam minimizar os riscos de avaliações mais “pessoais” e permitam uma selecção mais criteriosa. Estes processos avaliativos não são infalíveis (nunca o serão), mas permitem julgamentos mais objectivos.

A intuição (dirão muitos, “a experiência adquirida”)  irá acompanhar sempre estes processos, o que é completamente verdadeiro, mas se formos coerentes (se estivermos do outro lado, ou se já alguma vez estivemos) sabemos o quanto angustiante é sermos avaliados por intuição, mesmo que às vezes esta nos seja favorável. Nada disto é novo. Fazem-se as justaposições entre os perfis requeridos e os perfis dos candidatos em análise. Procura-se um “match” a 100% (sabemos que ele não existe, mas é confortável para nós percepcionarmos que o encontramos). E escolhemos um candidato (“o candidato”). Solucionamos o nosso “problema” ( a nossa necessidade)!

Mas deixamos de fora outros candidatos. Claro que sim, pois o matching  não era perfeito. Porque o fizemos? Porque o perfil não era tão ajustado, porque infelizmente (ou não) somos portadores de estereótipos, preconceitos e valores que, sem darmos por isso “ajudaram” a nossa escolha. Nesta altura, sim, nesta altura, se consciência tivermos do nosso “poder” (desejavelmente objectivo, discricionário, algumas vezes), começamos a perceber, e intimamente a desejar que seria bom termos uma terceira orelha. De facto começamos a pensar se a nossa escolha foi a acertada.

Muitas vezes (desejaria que a maioria, para bem de todos) tal acontece, mas noutras ocasiões e por obra do “destino” (conhecem a história das bruxas em que se não acredita ... sabem do que estou a falar) ficamos a saber que “aquele” candidato de competências “insuficientes” ou “aquele outro” que tinha uma postura genialmente narcisista (que tão sabiamente avaliámos e excluímos) foram  recrutados  para outras empresas e organizações (daquelas que servem de referência no nosso ranking pessoal) para exercerem funções de elevada responsabilidade e já apresentam resultados de relevo.

Chegamos então ao momento de fazermos apelo à nossa “terceira orelha” . E nesta altura que bem nos sabe não estragarmos aquelas com que viemos ao mundo (riem-se agora aqueles que os escolheram, mas lá chegarão a este momento, portanto tenham consciência disso e gozem as vossas orelhas!).

Acontece, no entanto, que até agora tenho estado a brincar, porque na realidade nós só temos duas orelhas, portanto o que temos de fazer é alternar os nosso puxões de orelhas entre a esquerda e a direita e, caso tenhamos óculos, pensarmos seriamente em usar lentes de contacto.

Imaginem agora se Van Gogh fosse um de nós!!
 

Dr. Emanuel Sousa

Fevereiro de 2007

 

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