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  • Conte com a QTEL para levar a sua organização a outro nível quer se encontre em Portugal ou no estrangeiro.
  • “O melhor retorno que temos vem do valor que acrescentamos aos nossos clientes”, Eng.º Moitinho de Almeida.

Como se Conjuga o Sucesso?

Gostaria de poder partilhar um pouco da minha experiência…

A situação económica e social do nosso país, já para não falar de muitos outros países que estão bem pior do que nós, requer um esforço concertado dos muitos cidadãos e cidadãs experientes e de boa vontade existentes, cujo contributo pode ser da maior importância. Das pessoas que têm posses espera-se que cooperem investindo, pagando os impostos justos, ajudando os/as mais necessitados/as, sobretudo através das múltiplas IPSS e ONG existentes, e trazendo para Portugal os capitais que têm andado a colocar em offshores e outros paraísos fiscais.

É neste contexto que eu, com uma experiência de 55 anos de actividade profissional em cargos técnicos, de gestão e de administração e com o conhecimento da realidade de algumas centenas de empresas, sinto a obrigação de também contribuir para que possamos vencer a crise. Procuro fazê-lo diariamente, apesar de estar há muito reformado, a trabalhar “no duro” como consultor, auditor, formador e líder da QTEL.

Chegado a este ponto a minha dificuldade é definir por onde começar, dada a diversidade de assuntos que devem ser analisados, pelo que farei em primeiro lugar um breve (mas indispensável) enquadramento da situação económica em Portugal, apesar de uma boa parte dele ser do conhecimento da maioria dos/as leitores/as.

Em seguida exporei as principais orientações que julgo importante seguir, algumas das quais conhecidas e partilhadas pela maioria dos/a portugueses/as, escrevendo a itálico as que fogem mais ao conhecimento público. Note-se que têm vindo a ser feitos estudos muito mais completos para diferentes sectores de actividade e promovidos geralmente pelas associações desses sectores usando a metodologia SWOT.

 

Aspectos negativos da situação económica em Portugal

  1. Situação periférica na Europa e como consequência longe dos principais mercados;
  2. Mais de três décadas em que os vencimentos das pessoas nos sectores público e privado aumentaram sem que o país gerasse uma riqueza que permitisse suportar esses valores, o que trouxe consigo um grande endividamento público e privado;
  3. Recurso excessivo a créditos resultante da incapacidade política para acabar com investimentos megalómanos e de rentabilidade duvidosa, quase sempre decididos para conseguir apoios eleitorais, ao nível do poder central e autárquico;
  4. Composição da população, com uma percentagem baixíssima de trabalhadores/as activos/as e altíssima de reformados/as e desempregados/as;
  5. Grande dependência do exterior em relação a produtos de primeira necessidade, sobretudo alimentares, que produzimos outrora mas que fomos abandonando face à pressão dos incentivos;
  6. Redução dramática das grandes indústrias (químicas, metalomecânicas, construção naval, equipamentos,…) e centros de apoio técnico a equipamentos como consequência de novos modelos de apoio logístico a partir da Europa Central e de Madrid;
  7. Elevado nível de desemprego devido ao encerramento de milhares de pequenas empresas, sobretudo na área têxtil, em consequência da abertura do mercado a produtos de países de mão-de-obra iniquamente barata, e na área comercial por via da redução do poder de compra da população;
  8. Estrutura produtiva ainda demasiado voltada para produtos e serviços de baixo valor acrescentado, o que não permite criar uma riqueza compatível com os custos;
  9. Reduzida dimensão do mercado nacional;
  10. Dificuldades de acesso ao crédito e a seguros de crédito acima de determinados patamares indispensáveis para algumas indústrias, como por exemplo a da construção naval;
  11. Canalização de grande parte dos financiamentos através de associações que por sua vez recorrem a empresas dos/as seus/uas administradores/as, tendo como principal objectivo o benefício destes/as e não o consagrado legalmente para esses apoios;
  12. Baixo índice de escolaridade, nomeadamente ao nível do secundário;
  13. Fraca cultura associativa que vise a criação de massa crítica para a prossecução de objectivos comuns, em particular de internacionalização.

 

Aspectos positivos da situação económica em Portugal

  1. Bom ensino universitário;
  2. Elevado potencial para atracção de turistas, pessoas da 3ª idade e investidores/as, mercê de excelentes condições climatéricas e paisagísticas e de boas condições de segurança e integração social;
  3. Taxa razoável de pessoas com doutoramentos e mestrados;
  4. Relações políticas e empresariais privilegiadas com os PALOP e capacidade para contribuir grandemente para o seu desenvolvimento;
  5. Facilidade de adaptação dos/as portugueses a diferentes culturas, quer na qualidade de emigrantes, quer na sua relação com os/as imigrantes;
  6. Interiorização já bastante generalizada de conceitos e práticas de qualidade;
  7. Domínio tecnológico em algumas áreas que propiciam elevado valor acrescentado, como por exemplo na informática, equipamentos que integram hardware e software, arquitectura, obras públicas e construção civil, biologia, indústria farmacêutica, indústria do papel, vestuário técnico, moldes, química fina, energias alternativas e exploração petrolífera. Até mesmo na área do calçado, tradicionalmente de baixo valor acrescentado em Portugal, estamos a conseguir inverter essa característica mercê sobretudo da aposta no design e do aumento da flexibilidade da resposta;
  8. Boas estruturas tecnológicas de apoio a diversas indústrias (têxtil e vestuário, calçado, cerâmica e vidro, cortiça, moldes e ferramentas especiais, rochas, madeira e couro);
  9. Existência de um número razoável de entidades certificadoras, formadoras e consultoras que tem contribuído e continua a contribuir para a melhoria da gestão das organizações e da qualidade dos seus produtos e serviços;
  10. Tomada de consciência de numerosos sectores de actividade para a importância da inovação, o que tem sido consubstanciado por numerosos casos de sucesso (e.g., Bial, PT, Renova, Vision-Box) e é suportado por uma norma portuguesa, a NP 4457 segundo a qual já existem cerca de uma centena de empresas certificadas. Neste âmbito não se pode deixar de salientar a importância estratégica dada pelo anterior governo nem o esforço desenvolvido pela COTEC e pela ADI – Agência de Inovação;
  11. Facilidade de adaptação dos/as portugueses/as aos processos de inovação e aos produtos e serviços inovadores, o que propicia um excelente campo experimental para a sua introdução (e.g. carro eléctrico, Via Verde, aplicações informáticas para telemóveis);
  12. Situação geográfica privilegiada do Porto de Sines, tendo em conta o grande aumento das taxas de transporte de cargas marítimas e o início para breve da abertura do canal do Panamá à circulação dos grandes cargueiros entre a Europa e a Ásia;
  13. Existência de uma grande zona económica exclusiva, com um potencial que já se sabe ser enorme, apesar de ainda pouco conhecido.

 

Oportunidades para as nossas empresas

Como referi atrás não é minha intenção nem sei o suficiente para fazer uma análise detalhada de todos os aspectos positivos e negativos acima referidos, tirando conclusões e fazendo sugestões de um modo sistemático, mas apenas equacionar algumas das situações indicadas em relação às quais eu penso que a minha experiência possa contribuir com as ideias seguintes que acredito serem úteis para a criação de valor:

  1. Olhar para a nossa posição geográfica como uma oportunidade, nomeadamente para manter e reforçar o comércio marítimo com os países latino-americanos e asiáticos. Neste sentido, criar parcerias com organizações idóneas desses países;
  2. Conceber e criar serviços de apoio à 3ª idade (e.g., hospitais, casas de saúde) nas classes alta e média-alta, conjuntamente com instalações de lazer (e.g., ginásios bem como clubes de golf e de bridge), nas regiões com melhores condições climáticas, em particular no Algarve e na Madeira cuja oferta hoteleira já é grande, ou com termas;
  3. Actualizar os salários e prémios em função dos resultados das organizações e não de contratos sectoriais que deverão, porém, servir de referencial;
  4. Apostar numa criação de valor de base tecnológica e inovadora progressivamente maior, seleccionando e recrutando pessoal com essas competências e reforçando parcerias e a colaboração com os stakeholders. Neste sentido, importa:
  • incentivar a inovação e a criatividade, criando um clima de comunicação multilateral aberta potenciadora de ideias,  gerindo o conhecimento, em particular o mais sensível (e.g., segurança da informação, propriedade intelectual, marcas) e descentralizando progressivamente a iniciativa;
  • avaliar as vantagens de adoptar técnicas de gestão da qualidade ainda não bem dominadas pela maioria dos/as próprios/as responsáveis desta área, tais como QFD, FMEA, 6 Sigma, SPC, Lean Production, SMED, Fiabilidade e Manutibilidade, DLCC, Custos da Qualidade, Métodos de Taguchi e Desenho de Experiências;

5. Sensibilizar e motivar os/as colaboradores/as através de políticas e do exemplo no âmbito da qualidade, ambiente, higiene e segurança, responsabilidade social e desenvolvimento sustentável. Os documentos normativos existentes poderão dar boas orientações nesse sentido;

6. Adoptar políticas conducentes ao desenvolvimento de competências e à retenção dos/as colaboradores/as com mérito;

7. Reforçar laços de cooperação com outras empresas e associações do sector respectivo, de modo a criar massa crítica para entrar em novos mercados (publicidade, participação em feiras, aquisição de empresas locais, etc.);

8. E, em particular, o poder instituído deve:-

  • lutar por um grande consenso a nível europeu que vise a extinção das offshores e dos paraísos fiscais;
  • assegurar que a justiça seja rápida, legislando nesse sentido e definindo indicadores e objectivos em conformidade;
  • incentivar o rejuvenescimento da população e aumentar as idades de reforma;
  • continuar e reforçar o apoio que vinha sendo dado à inovação, sobretudo nas PME, visando a internacionalização e a exportação. Utilizar as representações diplomáticas para este fim;
  • reforçar a sensibilização e práticas ligadas à qualidade, ao ambiente, à higiene e segurança e à responsabilidade social, o que pode ser feito não só no âmbito de programas de incentivos como da atribuição de pesos a estes factores no âmbito dos concursos públicos;
  • não atrasar a ligação ferroviária de Sines ao centro da Europa;
  • incentivar a apresentação de uma estratégia para a gestão integrada dos assuntos do mar, com base no estudo sobre o Hypercluster da Economia do Mar, da Associação Comercial de Lisboa – Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, elaborado sob a orientação de Ernâni Lopes. Note-se que a Associação Fórum Empresarial da Economia do Mar é uma associação de empresas que assumiu essa missão, tendo realizado diversas acções de divulgação;
  • por um lado, flexibilizar o acesso das empresas aos fundos estruturais e, por outro, incentivar a fiscalização e controlo, reduzindo o universo mas aprofundando a inspecção.


Em conclusão, espero sinceramente que a análise acima apresentada possa servir de elemento de reflexão, e pontualmente de orientação, para os/as leitores/as que sendo líderes e gestores/as se defrontam hoje com a necessidade de definir e implementar estratégias, mas que nem sempre têm disponível uma informação deste tipo.

Boa sorte para todos/as!


Eng.º Moitinho de Almeida

Setembro de 2011

 

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